consciência

Não fui lá.

Fui eu.

Quão errado é aceitar um beijo de quem nos gosta? Quão inocente é aceitar uma carícia de quem pretende proteger-nos? 

Quão indelicado é aproveitar-se desta aproximação para reclamar uma relação?

Quão necessitados de carinho?

Acusada de fugir, de procurar festinhas, de me vingar, nada disto foi, mas usei. Também usada. Na existência de consentimento, onde está a falta de lealdade? Criminaliza-se o descontrolo de travões? A vontade de ser seduzida? Acariciada? Os pedidos de desculpa sobrepunham-se à situação como justificação da minha fraqueza, ele continuou, convicto de que eu nos tentava enganar a ambos.

Trancada na ideia de ter sido desvalorizada por quem me atraía, rendi-me a quem verdadeiramente sentia algo por mim sabendo que não o iria retribuir posteriormente.

Bom, o arrependimento fugiu.

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ao acreditar

Adormeci derretida, ainda agora revejo continuamente cada momento num loop que me atormenta. O meu estômago sente-se apertado, o meu coração pesado, a minha cabeça implora-me por um pouco mais daqueles olhos de uma ternura transparente, daqueles risos difíceis de arrancar mas tão verdadeiros que me arrepiavam de constrangimento, daquela conversa tão simples, tão fácil, que em 5 horas voou a passo lento… O meu peito aperta acorrentado a estas curtas memórias que me prendem a ti.

Deparei-me com todo um encontro que não previ ser um encontro.

Encontrei confiança de amigo num alguém que procura não ser estranho.

encostei-me a ti

A vontade de voltar para casa era pouca se isso significasse um adeus. Encaminhámo-nos para a praia. Escura, som ao fundo, calma e atacante, uma sonoridade que não nos permitiria o embaraço, à sombra de uma lua que nos esconderia aconchegando, sem espectadores ou constrangimentos num olhar directo.

Em direcção ao mar avançámos, numa conversa calma, pessoal, havíamos perdido o assunto de trabalho para outros mais pertinentes ao nosso interesse. Parámos de pés juntos à borda da água, encontrando um frio desnervosizante. Pelo meu braço direito te senti próximo. Não estávamos capazes de continuar a partilhar palavras, desejávamos o acontecer e receávamos que o travassem.

O meu estômago apertava tanto, mas tanto… a necessidade de te sentir corroía-me por dentro enquanto o instinto me dizia para te afastar, procurando uma irrealista calma frustrante.

Perdida nestes embaraços psicológicos, em ti outra força reinava. Lado a lado, o teu braço nos meus ombros pousou, obrigando-me a mente a estagnar no momento. Rejeitei os meus medos e com a minha mão toquei a tua, acariciando o teu calor em mim. Pouco durou. Fizeste-me perder o raciocínio por instantes, procurei-o no olhar que antes havia evitado. Tocaste-me. Permiti que o teu carinho se ajustasse a minha face esquerda, o teu corpo aproximou-se do meu, ouvi nervosismo na tua respiração, deixaste-me de rastos num último olhar e assim me beijaste.

Invadiste-me, profundo de paixão, num beijo forte, honesto e quente… A cada segundo que passava, o meu desejo por ti aumentava. Numa observação de reacções, um reciproco sorriso envergonhado surgiu. Abraçaste-me num beijo no topo da testa. Senti-me entregue. Senti-me tua. Encostei-me a ti, de coração arrebatado, e assim permanecemos por eternidades mundanas.

especiais

Porque somos especiais?

Não por sermos mais inteligentes, aldrabões, engenhocas, artistas, simpáticos ou belos.

Quando a nossa alma brilha, quando sonhamos, nos apaixonamos ou encantamos por um mundo, fascinamo-nos a nós e ao outro canto terrestre.

O encanto do olhar derrete-se no enternecer da paixão que o aborda.
Somos capazes de mover o nosso espírito e a geração que o acolhe.