o sempre

Temos demasiados anos de vida para nos encontrarmos debruçados sobre o mesmo mundo durante o sempre.

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informação

Porque sentimos uma pressão tão forte no que diz respeito ao saber, ao conhecer, à informação?

Não defendo a “incultura”, antes pelo contrário, o nosso interesse motiva a aprendizagem e consequente alargamento do horizonte. Transformamos o nosso olhar, saltamos de perspectiva em perspectiva até que nos encontramos.

Hoje presenciamos um exagero de informação, um exagero de dever perante a leitura, um excesso de disponibilidade.
Fossemos tomar conhecimento da política; as nossas leis e as dos outros; há greve deste e daquele; refugiados; concertos gratuitos; a charmosa que casou com o charmoso, fora os nossos mais profundos interesses sobre os quais temos toda a vontade em aprofundar conhecimento (e não devemos nem por nada deixar esmorecer tal motivação para que tenhamos alguma ligação à verdadeira terra), jamais chegariamos a ter tempo para memorizar o nome do nosso filho. Quanto mais dar-lhe existência!
Fora as 8 horas de trabalho para que possamos comprar a tal televisão, revistas e um telemóvel para comunicar com os amigos e laurear a alegre pevide no inglorioso facebook.

Perante isto, digo: sei o que sei, procuro para mim e agradeço os tropeções por novidades informativas, especialmente aquelas que interferem com a minha liberdade. Não me vendam, porém, que estou em falta.

O mundo evoluiu. A premissa é a adaptação, acompanhando a subida da parada.

Pergunto porquê…
Pergunto-me: preciso?

relativiza

Acusam-me de pertencer a uma geração que não reconhece hierarquias. Que não identifica uma verdadeira diferença entre o seu estatuto e correspondente progenitor. Que, baseado em experiências pessoais, refere posteriormente aplicarem semelhante atitude a chefes.

And then I think: porquê uma hierarquia? Baseada em tal descrição, assumo-me condensada nessa latinha de sardinhas a que oferecem o nome de “geração”: vive em minha mente o conceito, mas não a sua total aceitação. Penso em nós, não ”somos um”, mas seres humanos conscientes. Muitos em falta no que à pessoal plenitude diz respeito.

Concordo com ouvir os conselhos dos mais velhos, têm em si mais anos de casa. Mais experiência? Dependerá de cada um.

O passado recente com que me deparei, ainda pouco tempo tive para arquivar do presente. Muitos afirmados felizes nunca lhe sentiram sabor nem à metade. Jamais desejarei ao pior Ser a minha história, por isso pergunto: porque questionam o meu sofrimento? Porque tentam descobrir quanto vale no mundo inteiro se me doeu a mim e não a eles? Não uso palas, sei de piores, semelhantes e indiferentes. Não fecho o horizonte à experiência partilhada, sei que me enriquece a perspectiva sobre o que fora de mim existe, mas permitam-me o direito de sentir a queimadura que à minha pele fez sofrer.

As maiores dores sofrem principalmente por comparação. “Relativiza”, muitos disseram. A meu ver, relativizar é desvalorizar. Eu existo e sofro. Só não tenho necessidade de atrair em mim mais dor, mas preciso compreendê-la, aceitá-la, agradecer-lhe aprendizagem e expelí-la. Somos por nos sentirmos. Somos regidos pelas emoções ou falta delas. De que nos serve negá-las? Quem dita a experiência? Quem dita uma hierarquia? Julgo-me mais conhecedora em certos aspectos, que velhos constrangidos pelo seu preconceito. É a mente deles, tal como a minha existe. Porquê rebater a braços de ferro de quem tem o assento mais perto do sol? Permitamo-nos aprender com quem de diferente.

Idades não marcam estatutos.
Marcam compassos.

diasinhos

(…) assim tiras uns diasinhos, também mereces uma pausa para descansar.

Toda a nossa vida é cansaço.
Trabalhamos para chegar às 18h.
Trabalhamos para os fins de semana.
Trabalhamos para 31 dias de férias.
Trabalhamos para viver a partir dos 66.

Queremos pausas.
Queremos folgas.
Queremos feriados.
Queremos pontes.
Queremos tirar a tarde.
Queremos sexta feira desde que sentimos a segunda chegar ao nariz.

Para quê? Para quem?
Para o mundo continuar a girar? A nossa função (refiro-me apenas à grande massa empresarial que nos circunda) é substituível. Nós fomos o melhor candidato que lhes apareceu em entrevista, mas se não tivessemos estado lá, alguém teria.

Fazem-nos sentir substituíveis, banais, seres que se dedicaram a um ensino superior que formata tantos outros de diploma igual. Não quero viver por comparação a uma outra vida. Melhores e piores existirão, com certeza, não me queiram como eles. Não falho por não conseguir, simplesmente pertenço a outro local a mim ainda desconhecido.

Não somos tão diferentes como a propaganda anuncia, nem de longe todos iguais por nascer de coração ao peito. Por muito desencontrada que me sinta, sei que muitos como eu percorrem semelhantes ruas. De passagem, acredito. Não vejo este lugar como nosso poiso comum. Falta-me saber onde pairam. A seu tempo.