especiais

Porque somos especiais?

Não por sermos mais inteligentes, aldrabões, engenhocas, artistas, simpáticos ou belos.

Quando a nossa alma brilha, quando sonhamos, nos apaixonamos ou encantamos por um mundo, fascinamo-nos a nós e ao outro canto terrestre.

O encanto do olhar derrete-se no enternecer da paixão que o aborda.
Somos capazes de mover o nosso espírito e a geração que o acolhe.

quem

Que miúda é esta que cruza o meu caminho? Quem a faz chorar deste modo tão turbolento? Porque a enraivece?

Chora agarrada à própria mão contra um lenço de papel amarrotado. Respira. O olhar muda. Endireita-se, de raiva em olho, prende determinadamente o cabelo e ajeita-se perante o reflexo. Até que volta a cair nela. Chora mais um pouco, desta vez com uma dor enraivecida.

Estás bem?
Pergunta estúpida, Mylène. Say something else!

3  2  1 acabou o tempo.
Por entre as portas do metro se escapuliu a história de uma rapariga agressivamente triste que nada se preocupou em ocultá-lo.

Perguntaram-me há tempos, que intuição milagrosa é esta que me permite acreditar ser capaz de melhorar a vida de alguém? Está quieta, rapariga, preocupa-te contigo, disseram-me.

Mas… e se eu pudesse ter mudado alguma coisa?

informação

Porque sentimos uma pressão tão forte no que diz respeito ao saber, ao conhecer, à informação?

Não defendo a “incultura”, antes pelo contrário, o nosso interesse motiva a aprendizagem e consequente alargamento do horizonte. Transformamos o nosso olhar, saltamos de perspectiva em perspectiva até que nos encontramos.

Hoje presenciamos um exagero de informação, um exagero de dever perante a leitura, um excesso de disponibilidade.
Fossemos tomar conhecimento da política; as nossas leis e as dos outros; há greve deste e daquele; refugiados; concertos gratuitos; a charmosa que casou com o charmoso, fora os nossos mais profundos interesses sobre os quais temos toda a vontade em aprofundar conhecimento (e não devemos nem por nada deixar esmorecer tal motivação para que tenhamos alguma ligação à verdadeira terra), jamais chegariamos a ter tempo para memorizar o nome do nosso filho. Quanto mais dar-lhe existência!
Fora as 8 horas de trabalho para que possamos comprar a tal televisão, revistas e um telemóvel para comunicar com os amigos e laurear a alegre pevide no inglorioso facebook.

Perante isto, digo: sei o que sei, procuro para mim e agradeço os tropeções por novidades informativas, especialmente aquelas que interferem com a minha liberdade. Não me vendam, porém, que estou em falta.

O mundo evoluiu. A premissa é a adaptação, acompanhando a subida da parada.

Pergunto porquê…
Pergunto-me: preciso?

diasinhos

(…) assim tiras uns diasinhos, também mereces uma pausa para descansar.

Toda a nossa vida é cansaço.
Trabalhamos para chegar às 18h.
Trabalhamos para os fins de semana.
Trabalhamos para 31 dias de férias.
Trabalhamos para viver a partir dos 66.

Queremos pausas.
Queremos folgas.
Queremos feriados.
Queremos pontes.
Queremos tirar a tarde.
Queremos sexta feira desde que sentimos a segunda chegar ao nariz.

Para quê? Para quem?
Para o mundo continuar a girar? A nossa função (refiro-me apenas à grande massa empresarial que nos circunda) é substituível. Nós fomos o melhor candidato que lhes apareceu em entrevista, mas se não tivessemos estado lá, alguém teria.

Fazem-nos sentir substituíveis, banais, seres que se dedicaram a um ensino superior que formata tantos outros de diploma igual. Não quero viver por comparação a uma outra vida. Melhores e piores existirão, com certeza, não me queiram como eles. Não falho por não conseguir, simplesmente pertenço a outro local a mim ainda desconhecido.

Não somos tão diferentes como a propaganda anuncia, nem de longe todos iguais por nascer de coração ao peito. Por muito desencontrada que me sinta, sei que muitos como eu percorrem semelhantes ruas. De passagem, acredito. Não vejo este lugar como nosso poiso comum. Falta-me saber onde pairam. A seu tempo.

exposições

Ofereço o meu tempo para as ver, no entanto perturbam-me. Pouco ou nada absorvo do que passa diante dos meus olhos.

Informação em excesso, compilada em meia dúzia de metros quadrados, confiando no nosso vastíssimo entendimento a fim de a assimilarmos em certo período horário. Gostaria de poder voltar, uns dias após, no sentido “Roger, falta-me algo. Sinto não ter compreendido o verdadeiro significado de Mrs. Johnson.” and so they return.

O mundo gira noutro sentido.
Cada vez mais cobrado ao milimetro.