natural

Adoro descalçar-me e sentir o mundo atravessar-me os pés. Agarrar a pessoa e sentir a sua textura, de uma pele que a une ao exterior. Adoro presentear-me nua e apreciar o peso do ar em mim. Vestir tamanhos acima e permitir-me enroscar numa pele minha.

Gosto de fins de semana tempestuosos que me aconchegam o eu com o teu. O enroscar num sofá, num cobertor, no chão. Ver natureza à minha frente e descobrir uma sobrevivência forçada por toque humano, mas em tempos de chuva quem a moldou demonstrar tréguas.

Sou mundo. Natureza. Espiritualidade.
Sinto-me. Mylène.

esquece

Esforcei-me por esquecer. Confundi o meu mundo com os demais para não sentir. Apinhei-me de felicidade alheia, que minha fosse. Assim seria feliz.

A alergia que sentimos perante o nosso passado doloroso, não é senão uma enganosa tentativa de o ultrapassar.

O querer esquecer determina uma necessidade relativa àquele momento, surtindo efeito inverso. É maior o tempo a relembrar o que necessita de ser esquecido, do que aquele que providenciamos ao nosso bem estar.
Não penses em elefantes encarnados. É exactamente a mesma realidade.

A ti, por vezes relembro a tua ausência. Doeu tanto, o tempo que passou passeando em mim… Agora Presente, sinto-o já demasiado longínquo. Como se talvez nada existisse até te tornares doente. Esforço-me por acreditar naquela distante vida recente, que criaste em mim amor, um companheiro, o melhor amigo.

Fugiste e obrigaste-me a fugir. Hoje pergunto-me, de onde vieste e para onde foste? Descubro-me aprisionada em ti, nestes anos passados a teu lado. Um edifício sem paredes, com paixão à queda livre.

Perturbavam-me as promessas de uma vida, os sonhos apaixonados, tentava descobrir quantas dessas seriam cópias de amores passados. Um dia acreditaram.
Porque prometemos na incerteza de um sentimento tão agressivo para com o nosso coração? A fidelidade às nossas próprias palavras raramente nos pertence. Somos um sonho em constante mutação! Vivam perante o momento, longe do futuro. Restará menos pele cortada em sangue, menos certezas descredibilizadas.
Não é o passageiro a origem de uma dor, mas sim as crenças a nós permitidas.

Nisto concluo: a amnésia humana não é voluntária, mera aceitação é tudo quanto baste para uma vida plena.

recém-descobrida

Julgamo-nos em demasia pelo que rege o mundo visual. Dizem analisar, interpretar, avaliar, mais não é senão uma projecção de preconceitos denunciados enquanto juízos de valor. Uma pressão invisível de ânsias que se concretizam apenas no pulmão de quem não pediu para argumentar.

Surpreende-me ouvir de uma recém-descobrida, tempo ainda nem teve para assimiliar, que encontra paz nas suas respostas. Contrapõe-se atormentada pela sociedade.

Questiono-me:
Existirá de facto uma maioria ou apenas personalidades com uma distinta necessidade de falar mais alto?