consciência

Não fui lá.

Fui eu.

Quão errado é aceitar um beijo de quem nos gosta? Quão inocente é aceitar uma carícia de quem pretende proteger-nos? 

Quão indelicado é aproveitar-se desta aproximação para reclamar uma relação?

Quão necessitados de carinho?

Acusada de fugir, de procurar festinhas, de me vingar, nada disto foi, mas usei. Também usada. Na existência de consentimento, onde está a falta de lealdade? Criminaliza-se o descontrolo de travões? A vontade de ser seduzida? Acariciada? Os pedidos de desculpa sobrepunham-se à situação como justificação da minha fraqueza, ele continuou, convicto de que eu nos tentava enganar a ambos.

Trancada na ideia de ter sido desvalorizada por quem me atraía, rendi-me a quem verdadeiramente sentia algo por mim sabendo que não o iria retribuir posteriormente.

Bom, o arrependimento fugiu.

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espinha

E se eu te dissesse que podes escolher quem entendes para a tua vida?

Dizer sim. Dizer não. Porque insisto ter por perto quem danifica tão vorazmente o meu bem estar.

Paz e bondade, a instabilidade vos afasta de mim como quem me retira um pedaço de mente. Desconheço de onde surgi, apareço sem dar conta de mim própria e o tempo voa, o tempo acena, o tempo sorri, pois tempo apenas trai quem nele acredita.

Atribuimos-lhe poderes curativos quando o ego se espinha contra si próprio. O olho apenas vê iris fora.

por perto

Foge minha mente sem corpo, velozmente em tua direcção. Falta-me liberdade de responsabilidade para que o físico a acompanhe. Felicito o telefone pela existência, mas não retira em mim o desejo de te abraçar, agarrar brutamente nos meus braços a dor que que te empurra para o sofrimento.

Quiseste não atender. Ambas sabemos agora que o coração pediu por ti a paz que procuravas, na minha voz.

Estranha a necessidade humana de sentirmos de perto o alguém que doi para o sufocarmos de aconhego.

Apreciadora do meu choro no meu buraquinho do meu mundo ausente. Aprendi, comigo e os meus olhos, que assim não sou só eu, que a solidão não deixa de nos fazer acompanhar por afastarmos o carinho de quem nos quer o bem por bem. Por esse motivo, quando evitei telefonar, telefonei.

“Independentemente de o que sou, estou contigo. Fala quando me precisares por perto.”

imparcial

Que olhos te vêem?
O que sentem?
Cabeça grande ou grandes pequenos?
Estado de espírito? Boa vontade? Doença e irritabilidade?

Fossemos capazes de aconselhar longe do subjectivo olhar crítico, pouco nos restaria de humano.
Se nem a escrita regrada é “bem dizida”, mal estaríamos ao deixarmo-nos guiar pelo que à sociedade faz sentido, quando dela pouco me sinto.
Escrevo-me além regras. Mylène sou e um dia eventualmente arrepender-me-ei na minha incompreensão, but at least I enjoyed the ride.

Ninguém nos pode aconselhar longe de si próprio, para o bem ou para o mal, partirá da necessidade que cada um tem em se relacionar com determinada pessoa. De nada mais depende senão do espírito com que os olhos encaram.

Poderia ser-nos concedida a oportunidade de interferir em caso explícito de poluição mental de quem nos preocupa. Mas quem faz de nós iluminados?

Julgo que todos usufruímos de pelo menos um pingo de bondade. Mas perdoar-lhes-á a bondade a maldade?

teimas

Não resistimos a tirar a teima pela segunda vez. Se à primeira mal lhe sentimos sabor, agora digo-te, nem me saías da boca…

O teu tempo permitiu-te ver de perto que a nossa felicidade não duraria, ainda que nos amassemos, ainda que nos desejassemos… Com objectivos de extremos opostos, mesmo assim eu teria corrido até não poder mais. Um engano demasiado fácil, pouco ou nada restaria entre nós além amargura.

Libertaste-te do nosso amor. Foste drástico, frio e duro, e eu, perdida, deixei-me levar.

Magoaste-me muito…
Ainda assim, te agradeço.
A pouco e pouco reencontrei-me longe da tua existência e compreendi o que só tu tiveste coragem de dizer em voz alta.

O meu coração é quente o suficiente para te deixar permanecer nele. Mas dificilmente esqueço a mágoa que deixaste em mim por toda a dedicação irreconhecida.