encostei-me a ti

A vontade de voltar para casa era pouca se isso significasse um adeus. Encaminhámo-nos para a praia. Escura, som ao fundo, calma e atacante, uma sonoridade que não nos permitiria o embaraço, à sombra de uma lua que nos esconderia aconchegando, sem espectadores ou constrangimentos num olhar directo.

Em direcção ao mar avançámos, numa conversa calma, pessoal, havíamos perdido o assunto de trabalho para outros mais pertinentes ao nosso interesse. Parámos de pés juntos à borda da água, encontrando um frio desnervosizante. Pelo meu braço direito te senti próximo. Não estávamos capazes de continuar a partilhar palavras, desejávamos o acontecer e receávamos que o travassem.

O meu estômago apertava tanto, mas tanto… a necessidade de te sentir corroía-me por dentro enquanto o instinto me dizia para te afastar, procurando uma irrealista calma frustrante.

Perdida nestes embaraços psicológicos, em ti outra força reinava. Lado a lado, o teu braço nos meus ombros pousou, obrigando-me a mente a estagnar no momento. Rejeitei os meus medos e com a minha mão toquei a tua, acariciando o teu calor em mim. Pouco durou. Fizeste-me perder o raciocínio por instantes, procurei-o no olhar que antes havia evitado. Tocaste-me. Permiti que o teu carinho se ajustasse a minha face esquerda, o teu corpo aproximou-se do meu, ouvi nervosismo na tua respiração, deixaste-me de rastos num último olhar e assim me beijaste.

Invadiste-me, profundo de paixão, num beijo forte, honesto e quente… A cada segundo que passava, o meu desejo por ti aumentava. Numa observação de reacções, um reciproco sorriso envergonhado surgiu. Abraçaste-me num beijo no topo da testa. Senti-me entregue. Senti-me tua. Encostei-me a ti, de coração arrebatado, e assim permanecemos por eternidades mundanas.

especiais

Porque somos especiais?

Não por sermos mais inteligentes, aldrabões, engenhocas, artistas, simpáticos ou belos.

Quando a nossa alma brilha, quando sonhamos, nos apaixonamos ou encantamos por um mundo, fascinamo-nos a nós e ao outro canto terrestre.

O encanto do olhar derrete-se no enternecer da paixão que o aborda.
Somos capazes de mover o nosso espírito e a geração que o acolhe.

em ti

Por vezes penso em ti. Olho para mim própria, reponho no meu cérebro uma imagem tua comigo e pergunto-me: exististe?

Penso nisto e um estranho sorriso me aparece por entre bochechas.

Invade-me uma saudade nostálgica por gostar de ti. É a primeira vez que o volto a dizer. Tenho pena da distância que nos separa, mas compreendo que precises dela. Gosto de ti. Respeito-te.

Bom moçoilo com uma dolorosa história, sorri tu para mim.