pai

O mundo aprendeu a ser fácil, predefinido, padronizado. Rapidamente desaparecemos por entre um espírito dormente que nos domina quando tudo o que sentimos é o dia de amanhã.

Dias há durante os quais invejo essa vida, mas após a tentativa de um ano sinto uma certa dificuldade em imaginar-me nela. Posso ser estranha, não ver o óbvio ou estar simplesmente a meter-me num grande buraco, mas o que é certo é que há um mundo verdadeiramente maior do que a nossa vista poderá algum dia alcançar. Se a cada milímetro de terra eu descobrir um interesse, estou certa de que por entre devaneios e tropeções surgirá um caminho.

Sou emoção num mundo mecanizado.
Nasci com mania que sou artista e tu cá estavas para me pôr os pés na terra.

Eu conheço-te. É para meu bem. És meu pai. O tipo mais compreensivo que pouco compreensivo o é. Temos tempo. De cabeça no ar, por entre estes “cás” e “lás”, vou sonhando.

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mãe

Parti para longe de todos, impulsionada por uma sede de poder. EU sou EU quem controla uma vida e não tais entidades que ditam de dia em dia quais corações baterão.

Emoções guerrearam para que lhes fosse atribuída voz. Concedida permissão, descobri que a nada nesta vida deve ser interdito caminho. Tudo estala quando errado, encontrando novo meio de atingir um fim.

Não sou pessoa triste, há apenas mágoa e tristeza dentro de mim que facilmente evapora por mera distracção. Sou sim pessoa feliz! No meio da catrefada de eventos descobri que sou eu, EU, quem a melhor mãe do mundo tem.

encostei-me a ti

A vontade de voltar para casa era pouca se isso significasse um adeus. Encaminhámo-nos para a praia. Escura, som ao fundo, calma e atacante, uma sonoridade que não nos permitiria o embaraço, à sombra de uma lua que nos esconderia aconchegando, sem espectadores ou constrangimentos num olhar directo.

Em direcção ao mar avançámos, numa conversa calma, pessoal, havíamos perdido o assunto de trabalho para outros mais pertinentes ao nosso interesse. Parámos de pés juntos à borda da água, encontrando um frio desnervosizante. Pelo meu braço direito te senti próximo. Não estávamos capazes de continuar a partilhar palavras, desejávamos o acontecer e receávamos que o travassem.

O meu estômago apertava tanto, mas tanto… a necessidade de te sentir corroía-me por dentro enquanto o instinto me dizia para te afastar, procurando uma irrealista calma frustrante.

Perdida nestes embaraços psicológicos, em ti outra força reinava. Lado a lado, o teu braço nos meus ombros pousou, obrigando-me a mente a estagnar no momento. Rejeitei os meus medos e com a minha mão toquei a tua, acariciando o teu calor em mim. Pouco durou. Fizeste-me perder o raciocínio por instantes, procurei-o no olhar que antes havia evitado. Tocaste-me. Permiti que o teu carinho se ajustasse a minha face esquerda, o teu corpo aproximou-se do meu, ouvi nervosismo na tua respiração, deixaste-me de rastos num último olhar e assim me beijaste.

Invadiste-me, profundo de paixão, num beijo forte, honesto e quente… A cada segundo que passava, o meu desejo por ti aumentava. Numa observação de reacções, um reciproco sorriso envergonhado surgiu. Abraçaste-me num beijo no topo da testa. Senti-me entregue. Senti-me tua. Encostei-me a ti, de coração arrebatado, e assim permanecemos por eternidades mundanas.

especiais

Porque somos especiais?

Não por sermos mais inteligentes, aldrabões, engenhocas, artistas, simpáticos ou belos.

Quando a nossa alma brilha, quando sonhamos, nos apaixonamos ou encantamos por um mundo, fascinamo-nos a nós e ao outro canto terrestre.

O encanto do olhar derrete-se no enternecer da paixão que o aborda.
Somos capazes de mover o nosso espírito e a geração que o acolhe.