“quando perdemos alguém”

(…) 
O choro intenso, que chorámos vezes sem conta no início, acaba: porque o tempo nos mostra que não nos adianta chorar. Que não nos adianta estrebuchar. Que não nos adianta — porque as lágrimas não nos devolvem quem já aqui não está.

(…) 

O que choramos é só um gemido. Um gemido quase mudo, cheio de dor. E outro. E mais outro. E as lágrimas que choramos — percebemos, então — mal chegam, sequer, para nos humedecer os olhos. Quanto mais para nos aliviar a dor…

Quando perdemos alguém que decidiu sair da nossa vida, contra a nossa vontade, dói-nos. Às vezes essa dor desaparece. Noutras, fica — talvez para sempre. Porque o outro pode ter saído da nossa vida, mas não saiu de nós. Apesar da razão. Apesar do tempo. Apesar de querermos.

É que há lutos que, infelizmente, nunca terminam.


por Laura Azevedo

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eternamente

Há algo na minha vida que não me permite estar completamente livre de uma pitada de drama.

Futuramente, prevejo-me de diploma em mãos banalizando os dramas quotidianos de quem ainda não foi ensinado a sofrer.

Gostaria que a ironia me salvasse, mas na verdade a probabilidade mais indesejada aconteceu.

Apesar do que por mim foi dito, através de anteriores reflexões, acabámos por nos enamorar uma terceira vez.

Fingindo não ver as limitações impostas pela doença, estávamos muito felizes um com o outro e, quando tudo corria bem, ele teve uma recaída. Após alguns tratamentos surgiu uma infeliz surpresa que o internou por dias até ao adeus.

Dias de carinho. Dias de amor. Dias de dedicação com um pedido de junção de trapinhos e um compromisso que desposaria os meus 20s de seus projectos. Entreguei-me, até sempre entregue serei.

Por este mundo permaneceram tristes sentimentos confusos, por meio de uma reconfortante dor que viria a preencher um coração escurecido.

em frente

espinha

E se eu te dissesse que podes escolher quem entendes para a tua vida?

Dizer sim. Dizer não. Porque insisto ter por perto quem danifica tão vorazmente o meu bem estar.

Paz e bondade, a instabilidade vos afasta de mim como quem me retira um pedaço de mente. Desconheço de onde surgi, apareço sem dar conta de mim própria e o tempo voa, o tempo acena, o tempo sorri, pois tempo apenas trai quem nele acredita.

Atribuimos-lhe poderes curativos quando o ego se espinha contra si próprio. O olho apenas vê iris fora.