diasinhos

(…) assim tiras uns diasinhos, também mereces uma pausa para descansar.

Toda a nossa vida é cansaço.
Trabalhamos para chegar às 18h.
Trabalhamos para os fins de semana.
Trabalhamos para 31 dias de férias.
Trabalhamos para viver a partir dos 66.

Queremos pausas.
Queremos folgas.
Queremos feriados.
Queremos pontes.
Queremos tirar a tarde.
Queremos sexta feira desde que sentimos a segunda chegar ao nariz.

Para quê? Para quem?
Para o mundo continuar a girar? A nossa função (refiro-me apenas à grande massa empresarial que nos circunda) é substituível. Nós fomos o melhor candidato que lhes apareceu em entrevista, mas se não tivessemos estado lá, alguém teria.

Fazem-nos sentir substituíveis, banais, seres que se dedicaram a um ensino superior que formata tantos outros de diploma igual. Não quero viver por comparação a uma outra vida. Melhores e piores existirão, com certeza, não me queiram como eles. Não falho por não conseguir, simplesmente pertenço a outro local a mim ainda desconhecido.

Não somos tão diferentes como a propaganda anuncia, nem de longe todos iguais por nascer de coração ao peito. Por muito desencontrada que me sinta, sei que muitos como eu percorrem semelhantes ruas. De passagem, acredito. Não vejo este lugar como nosso poiso comum. Falta-me saber onde pairam. A seu tempo.