“quando perdemos alguém”

(…) 
O choro intenso, que chorámos vezes sem conta no início, acaba: porque o tempo nos mostra que não nos adianta chorar. Que não nos adianta estrebuchar. Que não nos adianta — porque as lágrimas não nos devolvem quem já aqui não está.

(…) 

O que choramos é só um gemido. Um gemido quase mudo, cheio de dor. E outro. E mais outro. E as lágrimas que choramos — percebemos, então — mal chegam, sequer, para nos humedecer os olhos. Quanto mais para nos aliviar a dor…

Quando perdemos alguém que decidiu sair da nossa vida, contra a nossa vontade, dói-nos. Às vezes essa dor desaparece. Noutras, fica — talvez para sempre. Porque o outro pode ter saído da nossa vida, mas não saiu de nós. Apesar da razão. Apesar do tempo. Apesar de querermos.

É que há lutos que, infelizmente, nunca terminam.


por Laura Azevedo

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